quarta-feira, 17 de junho de 2015

MEU PAÍS DESGRAÇADO

EM MEMÓRIA DO MEU PROFESSOR

MEU PAÍS DESGRAÇADO (Poema de Sebastião da Gama ,com mais de meio século , mas, actualíssimo )
Meu país desgraçado...
E no entanto há Sol a cada canto
e nã...o há Mar tão lindo noutro lado.
Nem há Céu mais alegre do que o nosso,
nem pássaros, nem águas ...

Meu país desgraçado!...
Por que fatal engano?
Que malévolos crimes
teus direitos de berço violaram?
Meu Povo
de cabeça pendida, mãos caídas,
de olhos sem fé
— busca, dentro de ti, fora de ti, aonde
a causa da miséria se te esconde.
E em nome dos direitos
que te deram a terra, o Sol, o Mar,
fere-a sem dó
com o lume do teu antigo olhar.
Alevanta-te, Povo!
Ah!, visses tu, nos olhos das mulheres,
a calada censura
que te reclama filhos mais robustos!
Povo anêmico e triste,
meu Pedro Sem sem forças, sem haveres!
— olha a censura muda das mulheres!
Vai-te de novo ao Mar!
Reganha tuas barcas, tuas forças
e o direito de amar e fecundar
as que só por Amor te não desprezam!

sábado, 30 de maio de 2015

POR MUITAS DENÚNCIAS QUE FAÇAM EU NÃO DESISTO

POR MUITAS DENÚNCIAS QUE FAÇAM ... EU NÃO DESISTO !
A CADA IMAGEM ... A CADA POEMA QUE DENUNCIAM COMO TENDO DIREITOS DE AUTOR ... EU FAREI OUTRA .
NÃO DESISTO  DE DIVULGAR O POETA E MEU PROFESSOR SEBASTIÃO DA GAMA  GRATUITAMENTE


TODOS OS ABUTRES E HIENAS QUE VIVEM   À SOMBRA DO NOME DO POETA E ULTIMAMENTE MANIPULANDO SUA VIÚVA ... PODEM ESPERAR SENTADOS .


Zé Boneco
Joaquim Afonso Fernandes d'Oliveira

RESSURREIÇÃO

Ressurreição
Poema de Sebastião da Gama

Senhor!...
Eu bem te vejo, apesar
da escuridão!
Inda me não tocou a tua mão,
mas bem na sinto, bem na sinto em meus cabelos,
numa carícia igual a um perfume ou um perdão.

Senhor!
Eu bem te vejo, apesar
da escuridão!
Que já se abriram cinco
(ou são cinquenta?...?
ou são quinhentas?---)
Estrelinhas azuis no Céu azul
- as Tuas cinco, ou não sei quantas, feridas
lavadas pelas águas lá de Cima.

Vejo-Te ainda incerto e vago
como um desenho sumido,
mas esta é, Jesus, a última das noites.
Há já três
(não Te lembras, Senhor, das bofetadas
e dos cravos nos pés?...)
que Te pregaram numa cruz
e que morreste.

Até logo, Senhor!
(Deixa ser longa a Noite e o Logo longo,
que é de noite que eu seco os meus espinhos
e cavo, na minh´alma, o Teu jardim.
Rompa tarde a Manhã de ao fim
da Tua minha Noite derradeira.

- Não quero é que Te rasgues novamente,
quando, no terceiro Dia longe - perto
misericordiosamente,
ressuscitares em mim.)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

domingo, 22 de março de 2015

AS FONTES ( 22 DE MARÇO )




As Fontes



“Havia fontes na montanha.
Mas estavam fechadas.
Ignoradas,
beijavam só as veias da montanha.
Ora um dia
não sei que vento passou
que me ensinou
aquelas fontes que havia.
Eu tinha mãos e mocidade ;
só não sabia pra quê.
Fez-se nesse momento claridade.
Rasguei o ventre dos montes
e fiz correr as fontes
à vontade.
Então
veio quem tinha sede e quem não tinha.
De todas as aldeias
vieram, cantando as moças
encher as bilhas.
E eu fui também cantando ao som das águas ...
Cantavam as minhas mãos, cantavam as fontes.
Era um canto jucundo,
cheio de Sol.
Mas a meio da nota mais alegre
muita vez uma lágrima nascia.


( Ai quantos, quantos,
minha canção tornava mais conscientes
da sua melancolia
sem remédio !
Ai os que já perderam a coragem
de reclamar a sua conta de água !
Ai a mágoa
que lhes era meu hino !
Ai o insulto desumano
à sua melancolia !)
Era a meio do canto que surgia
seu travo amargo ...
Mas a meu lado, as águas
iam matando a sede de quem vinha ....

(Sebastião da Gama)

sábado, 21 de março de 2015

TRADIÇÃO ( 22 de Março - Dia da Árvore)


Tradição
Poema inédito ( Não publicado em Livro )
De Sebastião da Gama

Os engenheiros vieram, mediram, olharam…......
Havia árvores velhas…
Mandaram deitar abaixo
e os homens deitaram.
Sem lamentos, sem ais,
as árvores caíram…
Mas os engenheiros não puseram mais;
em seu lugar apenas
três cardos enfezados refloriram.
E os cardos vis são gritos de revolta
das sombras errantes pelo Ar;
das sombras que tinham por abrigos
aqueles freixos antigos
que o machado foi matar.
As sombras gritam, mas os engenheiros
+ Não põem freixos novos no lugar.
Tradição
Poema inédito ( Não publicado em Livro )
De Sebastião da Gama

 

sábado, 7 de março de 2015

AS FONTES


As Fontes

“Havia fontes na montanha.
Mas estavam fechadas.
Ignoradas,...
beijavam só as veias da montanha.

Ora um dia
não sei que vento passou
que me ensinou
aquelas fontes que havia.

Eu tinha mãos e mocidade ;
só não sabia pra quê.
Fez-se nesse momento claridade.

Rasguei o ventre dos montes
e fiz correr as fontes
à vontade.

Então
veio quem tinha sede e quem não tinha.
De todas as aldeias
vieram, cantando as moças
encher as bilhas.
E eu fui também cantando ao som das águas ...

Cantavam as minhas mãos, cantavam as fontes.
Era um canto jucundo,
cheio de Sol.
Mas a meio da nota mais alegre
muita vez uma lágrima nascia.

( Ai quantos, quantos,
minha canção tornava mais conscientes
da sua melancolia
sem remédio !
Ai os que já perderam a coragem
de reclamar a sua conta de água !
Ai a mágoa
que lhes era meu hino !
Ai o insulto desumano
à sua melancolia !)

Era a meio do canto que surgia
seu travo amargo ...

Mas a meu lado, as águas
iam matando a sede de quem vinha ....



(Sebastião da Gama)